Segregação urbana, cultura do medo e consumismo no Brasil: apontamentos para uma possível analogia
Mateus de Oliveira Fornasier
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI)
Luciano Vaz Ferreira
Universidade Federal de Rio Grande (FURG)
Carla Froener Ferreira
Universidade La Salle
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Palavras-chave

Cultura do medo
Segregação urbana
Consumismo

Como Citar

Fornasier, M., Vaz Ferreira, L., & Ferreira, C. (2019). Segregação urbana, cultura do medo e consumismo no Brasil: apontamentos para uma possível analogia. Direito E Desenvolvimento, 10(1), 217-230. https://doi.org/10.26843/direitoedesenvolvimento.v10i1.1011

Resumo

Este trabalho objetiva investigar as intersecções entre os fenômenos da cultura do medo e do consumismo numa sociedade caracterizada, também, pela segregação urbana. Seu método de pesquisa é o hipotético-dedutivo, com abordagem qualitativa e técnica bibliográfico-documental. Como resultado, tem-se que diversos aspectos permitem estabelecer analogias entre a cultura do medo (e sua consequente segregação urbana) e o consumismo: i) ambos fixam seus alicerces no individualismo, na crença de uma sociedade desigual e na necessidade da segregação; ii) nos dois fenômenos a mídia cumpre um papel importante, difundindo o medo pela violência e a necessidade do consumo do supérfluo; iii) há um representativo e central papel da “indústria da segurança”, representado pelo consumo exacerbado por mecanismos de proteção, crescente nos últimos anos no Brasil; iv) por fim, o shopping é a representação física da intersecção entre os fenômenos estudados, representado ao mesmo tempo, o ideal de segurança e consumo no mesmo local. 

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