Vírus zika e microcefalia: a mãe frente o diagnóstico do filho
Iago Pereira Nascimento
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
Renara Meira Gomes
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
Sheylla Nayara Sales Vieira
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) / Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
Tarciso Pereira Guedes
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
Geovana De Jesus Santana
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
Franciane Neves Silva
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)
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Palavras-chave

Vírus Zika
Microcefalia
Mãe
Luto
Deficiência

Como Citar

Nascimento, I., Gomes, R., Sales Vieira, S. N., Pereira Guedes, T., De Jesus Santana, G., & Neves Silva, F. (2019). Vírus zika e microcefalia: a mãe frente o diagnóstico do filho. Revista InterScientia, 7(1), 54-65. https://doi.org/10.26843/interscientia.v7i1.918

Resumo

Objetivo: verificar quais os sentimentos vivenciados pelas mães diante o diagnóstico de microcefalia do filho e as estratégias de enfrentamento utilizadas. Metodologia: para alcançar os resultados, foi utilizada a pesquisa de campo com sete mães, cujos filhos estavam matriculados na APAE – Jequié/BA. Para a coleta de dados utilizou-se a entrevista semiestruturada composta por questões sóciodemográficas e objetivas sobre o tema. filho idealizado durante a gestação foi substituído por um filho enfermo, causando grande choque de realidade. As estratégias de enfrentamento utilizadas foram o coping religioso, a busca por informações a cerca da deficiência e a busca por cuidados a criança na medicina. Empregou-se a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo para análise de dados.  Resultados: diante o diagnóstico de deficiência do filho as mães vivenciam sentimentos predominantemente negativos caracterizando-se em um lento e doloroso luto. Com a responsabilidade de proporcionar bem-estar para as crianças, as mães sentem-se sobrecarregadas, pois se tornam as principais cuidadoras. Conclusão: fica evidente a importância na adoção de medidas de prevenção à saúde mental das mães e não somente para a criança afetada, pois a cuidadora é geralmente a mais atingida e essas dificuldades e frustrações, se não trabalhadas, poderão, também interferir no ajustamento social e desenvolvimento da criança. Essa é, portanto, uma questão que precisa ser discutida, a fim de que sejam desenvolvidas políticas públicas de assistência e atenção às cuidadoras.

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